350 especialistas escrevem ao Congresso a alertar sobre a deterioração da saúde mental de Trump

Um grupo de especialistas em saúde mental, liderado por um trio de psiquiatras conhecidos, pede ao Comité Judicial da Câmara dos Representantes que considere o estado mental “perigoso” de Donald Trump, que se poderá agravar com o processo de impeachment que enfrenta.

“Estamos a falar agora porque estamos convencidos de que, à medida que o impeachment se aproxima, Donald Trump pode tornar-se cada vez mais perigoso, uma ameaça à segurança da nossa nação”, pode ler-se na carta enviada ao Comité pelo professor de medicina da Yale Medical School, Bandy Lee, o professor da Universidade George Washington, Dr. John Zinner, e o antigo investigador da CIA, Dr. Jerrold Post. A missiva, citada pelo ‘Independent’, é acompanhada de uma petição com pelo menos 350 assinaturas de profissionais de saúde mental que corroboram estas conclusões.

Os três psiquiatras afirmam que estão dispostos a testemunhar sobre os efeitos do impeachment na saúde mental do Presidente. E alertam que “a falta de monitorização ou de compreensão dos efeitos psicológicos [que o impeachment terá sobre Trump], pode levar a resultados catastróficos”.

“Imploramos ao Congresso que leve a sério estes sinais de perigo e restrinja os seus impulsos destrutivos. Nós e muitos outros estamos disponíveis para dar recomendações relevantes, bem como para educar o público para que possamos maximizar a nossa segurança coletiva ”, escrevem os psiquiatras.

Segundo Lee, o presidente dos EUA está a “reforçar as suas teorias de conspiração” e a “mostrar uma grande quantidade de crueldade e vingança” nos seus “tweets acelerados e repetitivos ”, sinais de que ele está a “duplicar e triplicar as suas ilusões ”. “Acredito que se encaixam no padrão de ilusões, e não apenas em mentiras”, sublinha.

A especialista em prevenção da violência enfatiza que este alerta deve ser levado a sério. Trump está a exibir “sinais definitivos de patologia grave” e “cumpre todos os critérios de falta de capacidade racional de tomada de decisões”, afirma.

E continua: “a única coisa que somos treinados a fazer é distinguir entre o que é saudável e o que não é normal”, e “o que reconhecemos é um padrão de doença que pode parecer outra ideologia política ou outro estilo político para a pessoa comum que não está familiarizada com a patologia, mas para nós é um padrão muito reconhecível”, acrescenta.

O antigo investigador do Instituto Nacional de Saúde Mental, Dr. John Zinner, especialista em transtornos de personalidade narcisista, diz ao Independent que os membros do congresso precisam de ter noção​​ sobre o perigo que o impeachment representa quando a presidência é ocupada por alguém com a patologia de Trump, que descreveu como um caso de Transtorno da Personalidade Narcisista.

“O impeachment é a maior ameaça à sua auto-estima e estamos muito preocupados que a sua raiva se torne ainda mais destrutiva”, afirma.

O antigo investigador da CIA, que criou perfis psicológicos do ex-primeiro-ministro de Israel Menachem Begin e do ex-presidente do Egito Anwar Sadat para o ex-presidente Jimmy Carter usar na negociação dos Acordos de Camp David, adianta que qualquer desafio ao poder de Trump, seja o impeachment ou uma perda nas eleições em novembro próximo, pode ser um trauma significativo para o Presidente. Questionado sobre como Trump reagiria a ambos os cenários, Post invoca o poeta galês Dylan Thomas: “Não entres nessa noite acolhedora com doçura. Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura”.

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