Na megaoperação de ontem, liderada pela Polícia Marítima, contra uma rede de tráfico humano que operava no distrito de Setúbal, na zona do Estuário do Tejo, foram constituídas arguidas 13 pessoas, após um dia inteiro de diligências.
Em causa estão crimes de associação criminosa, fraude fiscal, fraude aduaneira e branqueamento de capitais. No final do dia de diligências, adianta o Diário de Notícias, a ASAE acabou por encerrar os dois armazéns que serviam de dormitórios aos 243 imigrantes, que seriam explorados pela rede para apanhar amêijoa, devido a insalubridade dos espaços.
Um agenda da Polícia marítima conta ao mesmo diário que os imigrantes, da Tailândia, Bangladesh, estavam alojados num armazém no Montijo. “Já estive em várias operações da Frontex, em campos de refugiados, com condições precárias. O que vimos aqui hoje, nunca vi. É desumano”, explica.
Os imigrantes nas mãos da rede viviam “amontoados em colchões”, ou no exterior, em tendas, “em condições deploráveis”.
Dos 243, apenas 9 imigrantes estavam em situação ilegal, tendo todos sido identificados pelas autoridades. Os outros tinham autorização de residência ou visto de trabalho.
As vítimas foram temporariamente acolhidas no quartel dos Bombeiros o Montijo, com a Segurança Social e as autarquias locais a serem contactadas para, conjuntamente, encontrar soluções para um “problema social a resolver”.
Os suspeitos de serem os líderes da rede de tráfico são portugueses, tailandeses e romenos. Pelo menos dois estiveram já envolvidos em crimes violentos, como tentativa de homicídio, no passado.
A operação envolveu mais de 150 agentes da Polícia Marítima acompanhados por 60 inspetores do SEF, da Autoridade Tributária, da Unidade Especial da PSP e a colaboração do Serviço de Informações de Segurança (SIS).










