O 25 de Abril volta este sábado à rua, entre cerimónias oficiais, celebrações populares e manifestações. Mas este ano há uma memória recente a pesar sobre a operação de segurança: os incidentes registados em 2025, quando uma manifestação ligada à extrema-direita, proibida pelas autoridades, acabou em confrontos, detenções e novas diligências policiais.
A Polícia de Segurança Pública, contactada pela ‘Executive Digest’, não antecipa cenários concretos de perturbação, mas confirma que está a acompanhar o quadro de manifestações e eventos previstos para este sábado. Questionada sobre a preparação da operação, a PSP garante que a prioridade será assegurar os eventos oficiais organizados pelos órgãos de soberania e, ao mesmo tempo, acompanhar os eventos paralelos que possam decorrer na via pública.
A palavra-chave é prevenção.
“O foco principal será na visibilidade e prevenção, garantindo-se, a todo o momento, capacidade de intervenção e reação”, respondeu a PSP.
A frase resume o equilíbrio que as autoridades terão de gerir num dia particularmente simbólico: garantir a normalidade das celebrações, proteger o direito à manifestação e impedir que eventuais focos de tensão perturbem a ordem pública ou a liberdade de circulação.
A memória de 2025
No ano passado, as celebrações dos 51 anos do 25 de Abril ficaram marcadas por um contraste forte em Lisboa. Enquanto milhares de pessoas desciam a Avenida da Liberdade no desfile comemorativo, com cravos, bandeiras e palavras de ordem, a zona do Rossio e do Martim Moniz tornou-se palco de tensão.
Uma manifestação convocada por grupos de extrema-direita tinha sido proibida pela Câmara de Lisboa, depois de parecer negativo da PSP. Ainda assim, vários participantes insistiram em avançar para a rua. A situação acabou por escalar, com confrontos, cargas policiais, detenções e a criação de perímetros de segurança para evitar o contacto direto entre grupos opostos.
Entre os detidos estiveram Rui Fonseca e Castro, líder do Ergue-te, e Mário Machado, figura conhecida da extrema-direita nacional. A PSP viria ainda a identificar outros suspeitos através da análise de imagens captadas durante os incidentes, tendo sido remetidas queixas para o Ministério Público.
É esse precedente que torna a operação deste sábado mais sensível.
“Recolha permanente de informação”
A PSP explica que mantém um esforço contínuo de acompanhamento da informação disponível, tanto sobre manifestações comunicadas previamente às câmaras municipais como sobre eventuais iniciativas que possam ocorrer fora do quadro legal.
“Para este fim, decorre um permanente esforço de pesquisa que tem como foco a recolha de informação relacionada com a realização de manifestações, normal e previamente comunicadas às câmaras municipais, bem como com as que possam ser em incumprimento do quadro legal em vigor”, refere a polícia.
Esta recolha, acrescenta a PSP, tem um objetivo prático: permitir que a operação seja preparada com antecedência, com meios humanos e materiais ajustados ao risco.
“Esta permanente recolha de informação permite garantir o conhecimento atempado e necessário para planear todas as medidas necessárias e preparar os meios humanos e materiais para fazer face a qualquer situação que possa colocar em causa a ordem pública e a liberdade de circulação, em todos os momentos”, acrescenta a força de segurança.
O difícil equilíbrio do 25 de Abril
O 25 de Abril é, por natureza, um dia de rua. É celebração institucional, mas também desfile popular. É memória histórica, mas também espaço de afirmação política. E é precisamente por isso que a operação policial tem de ser desenhada com particular cuidado.
A PSP tem de garantir a segurança dos eventos oficiais, proteger os participantes nas celebrações e assegurar que outras manifestações, quando legais, possam decorrer dentro dos limites previstos. Ao mesmo tempo, tem de prevenir situações de provocação, confronto ou ocupação de espaços que possam pôr em causa a ordem pública.
O precedente de 2025 torna essa missão mais delicada. A extrema-direita tentou ganhar visibilidade num dia de forte carga simbólica para a democracia portuguesa, e os incidentes acabaram por expor a fragilidade de um momento em que diferentes grupos políticos, sociais e ideológicos partilham o mesmo espaço urbano.
Este ano, a PSP quer evitar que a memória desses confrontos se repita.
A PSP assume que o dispositivo para este 25 de Abril será preparado a partir da informação recolhida nos dias anteriores, incluindo manifestações comunicadas às câmaras municipais e eventuais iniciativas que possam surgir fora do quadro legal.
Na prática, a prioridade passa por garantir a segurança das cerimónias oficiais e dos eventos que decorram em paralelo na via pública, evitando perturbações da ordem pública e constrangimentos à circulação.
A força de segurança não detalha o dispositivo previsto, mas deixa claro que a presença no terreno terá uma lógica preventiva. A visibilidade policial será, por isso, uma das principais apostas para reduzir riscos e permitir uma resposta rápida caso surjam incidentes.
“O foco principal será na visibilidade e prevenção, garantindo-se, a todo o momento, capacidade de intervenção e reação”, sublinha a PSP.
A formulação é prudente, mas clara: a polícia quer evitar tensão nas ruas, sem abdicar de intervir se alguma situação colocar em causa a segurança, a ordem pública ou a liberdade de circulação.



