25 anos do 11 de Setembro: presença de Mamdani gera polémica e Trump decide faltar à cerimónia

A comemoração dos 25 anos dos atentados de 11 de Setembro em Nova Iorque, marcada para sexta-feira, 11 de setembro, será acompanhada por uma forte presença institucional, mas também por duas ausências ou presenças particularmente controversas.

Pedro Zagacho Gonçalves

A comemoração dos 25 anos dos atentados de 11 de Setembro em Nova Iorque, marcada para sexta-feira, 11 de setembro, será acompanhada por uma forte presença institucional, mas também por duas ausências ou presenças particularmente controversas. O atual presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, confirmou que estará na cerimónia na Zona Zero, apesar da oposição manifestada por familiares de vítimas e grupos de sobreviventes, enquanto Donald Trump decidiu não participar na homenagem em Lower Manhattan e enviará o vice-presidente JD Vance em sua representação.

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A cerimónia do 25.º aniversário dos ataques será realizada na praça do Memorial e Museu do 11 de Setembro, no local onde se encontravam as Torres Gémeas. O programa oficial prevê a leitura dos nomes das vítimas por familiares e sete momentos de silêncio, correspondentes aos principais momentos dos atentados e, no final, às pessoas que morreram ou adoeceram devido a consequências relacionadas com o 11 de Setembro. O Memorial confirma que a cerimónia terá início de manhã e será transmitida em direto, embora o acesso à praça esteja reservado às famílias das vítimas.

A presença de Mamdani tornou-se um dos principais pontos de controvérsia em torno da cerimónia. O autarca, muçulmano e conhecido pelas suas posições favoráveis à causa palestiniana, confirmou em julho que iria participar no aniversário, apesar de entretanto ter sido lançada uma recolha de assinaturas para impedir a sua presença no local. A iniciativa partiu de Giovanni Galante, viúvo de uma das vítimas dos atentados, e acabou por receber o apoio de outras vozes críticas do presidente da Câmara.

Uma cerimónia que pretende ficar fora da política
Apesar da dimensão política que a presença de Mamdani e a ausência de Trump conferem este ano à comemoração, a organização do Memorial e Museu do 11 de Setembro insiste no caráter não partidário da cerimónia. Desde 2012, os políticos deixaram de ter intervenções no evento, cabendo aos familiares das vítimas a leitura dos nomes dos mortos e aos responsáveis políticos presentes apenas o papel de testemunhas da homenagem.

“Trabalhámos intencionalmente para manter a comemoração livre de política, porque recordar aqueles que perdemos no 11 de Setembro nunca deve ser uma questão partidária”, afirmou à EFE um porta-voz do Memorial e Museu do 11 de Setembro, organização responsável pela cerimónia.

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O representante da instituição acrescentou que responsáveis governamentais de diferentes quadrantes políticos, “incluindo todos os presidentes, governadores e presidentes da Câmara em exercício desde o 11 de Setembro”, participaram ao longo dos anos no evento simplesmente para prestar homenagem às vítimas. “Não fazem comentários e é-lhes pedido que permaneçam numa área designada”, explicou.

A organização mantém, assim, uma fórmula que pretende colocar as vítimas e os seus familiares no centro da cerimónia. No 25.º aniversário, os familiares vão ler em voz alta os nomes das 2.983 pessoas mortas nos atentados de 11 de setembro de 2001 e no ataque de 26 de fevereiro de 1993 ao World Trade Center. O programa inclui seis momentos de silêncio associados aos impactos dos aviões, à queda das duas torres, ao ataque ao Pentágono e à queda do voo 93 na Pensilvânia, além de um sétimo momento dedicado às pessoas que morreram devido a doenças e lesões relacionadas com os atentados.

Familiares e sobreviventes contestam presença de Mamdani
A participação de Zohran Mamdani não é, contudo, consensual entre os familiares das vítimas e os grupos ligados aos sobreviventes. A Associação de Polícias Reformados da Autoridade Portuária pediu tanto ao presidente da Câmara como à governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, que não comparecessem na cerimónia.

John McDevitt, presidente da organização, argumentou que a presença de Mamdani poderia provocar “dor” entre as vítimas e as suas famílias e, simultaneamente, “desviar a atenção” do significado da homenagem.

A maior iniciativa pública contra a presença do autarca partiu de Giovanni Galante. A petição lançada pelo viúvo de uma vítima aproximava-se das 100 mil assinaturas e contesta várias posições atribuídas a Mamdani que os seus promotores consideram hostis à memória das vítimas e à luta contra o terrorismo.

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Entre os argumentos apresentados estão o alegado elogio de Mamdani ao imã Siraj Wahhaj, descrito pelos críticos como ligado ao islamismo radical, a contratação de Ramzi Kassem como assessor jurídico local — um advogado que defendeu um terrorista da Al-Qaeda — e a ausência de condenação da expressão “globalizar a intifada”.

A oposição também recebeu apoio de figuras republicanas de Nova Iorque. O antigo governador George Pataki manifestou-se contra a presença de Mamdani, tal como Bruce Blakeman, líder do condado de Nassau e candidato a governador, cujo sobrinho morreu nos atentados de 11 de Setembro.

Do outro lado da polémica estão personalidades que defendem que o presidente da Câmara deve estar presente na cerimónia independentemente das suas posições políticas. Entre os seus apoiantes estão Julie Menin, porta-voz do Conselho Municipal, e Curtis Sliwa, antigo candidato republicano à Câmara de Nova Iorque.

Dennis McKeon, responsável por um grupo de sobreviventes em Staten Island, considerou que não existe fundamento para impedir a presença do autarca. “Houve presidentes da Câmara e governadores nos últimos 25 anos que realmente não fizeram nada para ajudar as famílias do 11-S. Nunca lhes foi proibida a presença”, afirmou.

Mamdani, por seu lado, não recuou na decisão de participar na homenagem e apresentou a sua presença como um compromisso pessoal com as vítimas, os sobreviventes e os socorristas. “Honrarei com orgulho as famílias, os sobreviventes e os socorristas e reafirmarei que nunca esqueceremos aquele dia”, afirmou o autarca em julho.

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A própria Câmara de Nova Iorque anunciou entretanto medidas destinadas a assinalar o 25.º aniversário. Mamdani declarou que 11 de setembro será oficialmente um “Dia de Memória e Serviço” na cidade, numa iniciativa destinada a homenagear as vítimas, os primeiros socorristas, os sobreviventes, as famílias e os trabalhadores municipais afetados pela tragédia.

Trump será o primeiro presidente em funções a faltar à cerimónia de Nova Iorque
A outra grande controvérsia está relacionada com Donald Trump. O presidente norte-americano não estará na cerimónia da Zona Zero, tornando-se, segundo a informação divulgada, o primeiro presidente dos Estados Unidos em exercício a não participar na comemoração de 11 de Setembro em Nova Iorque.

Trump será representado pelo vice-presidente JD Vance. O próprio presidente deverá, contudo, participar nas cerimónias realizadas no Pentágono, outro dos locais atingidos pelos atentados de 2001.

A decisão ganhou dimensão política depois de o The New York Times ter noticiado, citando fontes próprias, que Trump pretendia discursar na Zona Zero, mas que não poderia fazê-lo devido às regras estabelecidas para a cerimónia. O evento não permite intervenções políticas dos responsáveis presentes, precisamente para preservar o caráter não partidário da homenagem.

Trump rejeitou publicamente essa explicação através da sua rede social, Truth Social. O presidente afirmou que esteve “muitas vezes” em Nova Iorque ao longo dos anos e argumentou que na cerimónia da Zona Zero “ninguém fala”, por se tratar de um momento solene. Na mesma publicação, atacou a jornalista responsável pela notícia, incluindo comentários insultuosos sobre o seu trabalho e a sua aparência física.

JD Vance procurou, por seu lado, apresentar a participação da administração republicana como uma oportunidade para sublinhar a união dos norte-americanos em torno da memória dos atentados. Numa conferência de imprensa na Casa Branca, o vice-presidente destacou a importância de recordar a tragédia, embora tenha aproveitado a ocasião para lançar críticas ao antigo presidente Joe Biden, ironizando que teria com ele “muitas conversas intelectuais intensas” e que ambos “se divertiriam imenso”.

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Biden, Obama, Clinton e George W. Bush entre os antigos presidentes esperados
Apesar da ausência de Trump, a cerimónia deverá reunir uma representação política de elevado nível. Segundo a informação divulgada pela NewsNation, estão confirmadas as presenças dos antigos presidentes democratas Joe Biden, Bill Clinton e Barack Obama, bem como do republicano George W. Bush.

A presença de antigos presidentes de ambos os partidos reforça a tradição de apresentar a cerimónia como um momento de união nacional acima das divisões políticas. Ao longo dos anos, a Zona Zero recebeu presidentes, antigos presidentes, governadores, presidentes da Câmara e outras figuras de diferentes administrações, embora desde 2012 os responsáveis políticos não tenham direito a intervenções durante o ato.

A tradição é particularmente relevante no 25.º aniversário, numa altura em que a cerimónia volta a colocar em primeiro plano a memória das vítimas e o papel dos familiares. O Memorial sublinha que o momento central será precisamente a leitura dos nomes, realizada pelos familiares das pessoas mortas nos ataques.

A memória das vítimas volta ao centro da cerimónia
Os atentados de 11 de setembro de 2001 provocaram a morte de 2.977 pessoas, enquanto o ataque de 1993 ao World Trade Center vitimou outras seis pessoas. A cerimónia do 25.º aniversário inclui a leitura dos nomes das vítimas dos dois ataques, numa homenagem que se prolongará durante a manhã de 11 de setembro.

A programação oficial do Memorial estabelece o início do programa às 8h30 e o primeiro momento de silêncio às 8h46, hora em que o primeiro avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center. O acesso à praça do Memorial estará reservado às famílias das vítimas.

O Memorial anunciou também que a cerimónia será transmitida em direto, permitindo acompanhar a homenagem apesar de o espaço físico não estar aberto ao público.

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O 25.º aniversário será, assim, marcado por um contraste político invulgar: de um lado, um presidente da Câmara cuja presença provoca contestação entre parte das famílias e sobreviventes; do outro, um presidente dos Estados Unidos que decidiu não comparecer na cerimónia da Zona Zero e será substituído pelo vice-presidente. No entanto, a organização insiste que o centro da homenagem deverá continuar a ser a memória das vítimas e não a disputa política em torno dos atuais protagonistas de Nova Iorque e Washington.

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