25 Abril: Aguiar-Branco pela “transparência” mas contra “reality shows” na vida política

 

Executive Digest com Lusa

 


*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***


 


Lisboa, 25 abr 2026 (Lusa) — O presidente da Assembleia da República afirmou-se hoje defensor da transparência na vida política, mas rejeitou confusões entre este princípio e os populismos baseados em “reality shows” que afastam as pessoas de participarem na atividade democrática.


Aguiar-Branco falava aos jornalistas após ter aberto a porta principal do parlamento aos cidadãos e de ter assistido a uma atuação da Escola de Dança do Conservatório Nacional, no átrio principal da Assembleia da República.

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Confrontado pelos jornalistas com as críticas formuladas pelo PS ao teor do seu discurso na sessão solene do 25 de Abril, José Pedro Aguiar-Branco rejeitou que tivesse a intenção de fazer “caricatura” sobre o conjunto de leis aplicadas aos políticos e, sobretudo, recusou que desvalorize o princípio da transparência na vida política.


O presidente da Assembleia da República começou por apontar que, quando se evoca o 25 de Abril, “mas também aquilo que é o presente e o futuro, até é saudável se resultar debate dessa intervenção, porque que “é um sinal de que foram tocados temas importantes”.


“A reputação dos políticos e da política é algo que uns reconhecem, outros não reconhecem, mas considero que é um elemento importante também para nós termos uma democracia com mais qualidade”, defendeu.

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Já sobre o facto de o vice-presidente da bancada do PS Pedro Delgado Alves ter virado as costas no final do seu discurso, em sinal de protesto, José Pedro Aguiar-Branco respondeu que a sua intervenção “não foi dirigida – acho que isso ficou claro – nem a nenhum grupo parlamentar, nem a nenhum político ou deputado em particular”.


“Foi dirigido a toda a classe política e também àqueles que fazem discursos fáceis contra a política e contra o sistema” democrático, apontou.


Neste contexto, o presidente da Assembleia da República reiterou a sua tese de que é importante atrair talento para a atividade política.


“É voz corrente dizer-se que há dificuldade em atrair talento, que há dificuldade em mobilizar as pessoas e o meu alerta foi nesse sentido”, justificou, antes de salientar que defende a transparência na vida política.


“Todos somos pela transparência, eu sou pela transparência, acho que até deixei muito claro aquilo que é a diferença entre o que é necessário para haver transparência e o que são os reality shows. Acho que deixei muito clara essa diferença e que isso merece ser tratado e ponderado”, acentuou.

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José Pedro Aguiar-Branco realçou depois que, na sua intervenção, procurou advertir para a circunstância de haver “um excesso de incompatibilidades – e esse excesso de incompatibilidades é também um elemento que impede que haja uma maior capacidade de recrutamento daqueles que na sociedade podem e devem e desejam participar na política”.


“A transparência na vida política é essencial. Eu sou para a transparência e, aliás, há vinte e tal anos que faço política e sempre defendi e defendo essa realidade como sendo importante para quem exerce um cargo público e um cargo político. Mas não podemos confundir isso com reality shows”, insistiu.


O presidente da Assembleia da República advogou que deve ser feito um amplo debate sobre o conjunto de leis aplicáveis aos titulares dos cargos políticos, designadamente em matéria de incompatibilidades e conflito de interesses.


“É um debate que se deve fazer com normalidade e com naturalidade. Não há temas de tabus em democracia. É importante que se fale, é importante que se escuta e é importante que se tente melhorar aquilo que deve ser melhorado”, acrescentou.


 


PMF // SF


Lusa/Fim


 

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