Guilherme Oliveira prepara-se para um dos maiores desafios da sua carreira. O piloto português estreia-se este fim de semana nas míticas 24 Horas de Nürburgring, uma das provas de resistência mais exigentes do automobilismo mundial, e chega ao “Inferno Verde” com argumentos para lutar pela vitória na classe SP10.
A estreia ganha ainda maior dimensão pelo palco e pela concorrência. A edição de 2026 terá 161 carros inscritos, a maior grelha da última década, mais de 400 mil espectadores esperados e um nome que aumenta o impacto mediático da prova: Max Verstappen, quatro vezes campeão do mundo de Fórmula 1, será um dos pilotos em pista.
Num cenário onde competem alguns dos melhores especialistas mundiais em corridas de resistência, Guilherme Oliveira vai alinhar ao volante de um Mercedes-AMG GT4 da PROsport Racing, integrado na classe SP10, reservada a modelos GT4. O português partilhará o carro com Yannik Himmels, Lluc Ibañez e Jörg Viebahn, numa formação que parte com ambição clara num pelotão altamente competitivo.
A participação nas 24 Horas de Nürburgring representa mais um marco no percurso internacional do piloto de Vila Nova de Gaia. Depois de já ter competido nas 24 Horas de Daytona e nas 24 Horas de Spa-Francorchamps, Guilherme acrescenta agora ao currículo uma das corridas mais emblemáticas e temidas do endurance mundial.
“É um sonho poder disputar mais uma corrida de 24 horas. Já tenho Daytona e Spa no currículo; depois desta, ficará a faltar apenas Le Mans. É sempre muito especial competir nas provas mais emblemáticas do endurance mundial e, naturalmente, estou muito feliz por poder viver esta experiência”, afirma Guilherme Oliveira.
Conhecido como “Inferno Verde”, o traçado de Nürburgring combina o circuito GP com o lendário Nordschleife, totalizando mais de 25 quilómetros por volta. A extensão da pista, o tráfego intenso, as diferenças de andamento entre categorias e as mudanças repentinas de meteorologia fazem desta prova um exercício extremo de resistência, precisão e gestão emocional.
“Esta pista é uma loucura total. Aqui, mais do que pensar imediatamente no resultado, o principal objetivo passa por sobreviver, evitar erros e manter sempre um nível de concentração muito elevado. Sabemos que os azares podem acontecer e que a chuva pode mudar tudo de um momento para o outro”, explica o piloto português.
Apesar da dureza do desafio, Guilherme Oliveira chega à Alemanha num momento de forte confiança. Há apenas duas semanas, conquistou a sua primeira vitória no GT World Challenge Europe, na categoria Silver da Sprint Cup, em Brands Hatch, onde somou também um segundo lugar ao volante do McLaren 720S GT3 Evo da Optimum Motorsport. Os resultados colocaram-no no top-4 do campeonato e reforçaram o estatuto do português como um dos jovens talentos em ascensão no panorama internacional dos GT.
Na classe SP10, a PROsport Racing surge com uma estrutura experiente e um conjunto competitivo. Para Guilherme, a estreia em Nürburgring é também uma oportunidade estratégica para acumular experiência num dos circuitos mais complexos do mundo, com os olhos postos no futuro e numa eventual passagem para GT3.
“Temos um line-up muito sólido, uma equipa experiente e um carro competitivo. Apesar de ser um GT4, o nível de dificuldade continua a ser enorme e esta prova será também muito importante para ganhar experiência nesta pista, pensando no futuro e numa passagem para GT3”, sublinha.
A edição de 2026 das 24 Horas de Nürburgring promete ser uma das mais marcantes dos últimos anos. A dimensão da grelha, a presença massiva de público e a estreia de Max Verstappen elevam ainda mais o perfil de uma corrida já lendária. Para Guilherme Oliveira, a oportunidade é clara: estrear-se num dos palcos mais difíceis do automobilismo mundial e mostrar que pode lutar por um resultado de referência ao lado dos maiores nomes da modalidade.
A ação em pista arranca esta quinta-feira, com duas sessões de qualificação. A partida para as 24 Horas de Nürburgring está marcada para sábado, às 16 horas de Portugal.







