Em Portugal, 78% da população dispõe de um caixa automático ou de um balcão a menos de 1 quilómetro da freguesia de residência e 98% a menos de 5 quilómetros, segundo um estudo sobre a cobertura das redes de caixas automáticos e de balcões de instituições de crédito em termos de distribuição de numerário à população do Banco de Portugal, divulgado esta terça-feira.
O estudo mostra que, em média, uma freguesia sem caixa automático ou balcão dista 3 quilómetros do caixa automático ou balcão mais próximo. A distância máxima identificada entre uma freguesia e o ponto de acesso a numerário mais próximo é de 17 quilómetros, em linha reta.
Embora o número de agências bancárias e o número de caixas automáticos em Portugal tenham diminuído, respetivamente, 40% e 20% na última década e se reconheça a dificuldade que uma distância de 17 quilómetros possa representar para a população visada, os resultados deste estudo permitem concluir que as redes de caixas automáticos e balcões continuam a proporcionar uma ampla cobertura do território nacional em termos de distribuição de numerário.
Contudo, o BdP admite que a redução do número de caixas automáticos e balcões possa vir, em breve, a colocar dificuldades no acesso a numerário, especialmente críticas em regiões mais periféricas e para a população mais vulnerável.
O estudo identifica 24 freguesias, pertencentes a oito municípios, nas quais uma eventual contração destas redes poderá revelar-se mais crítica. Trata-se de freguesias dos municípios de Chaves (1), Vinhais (8), Miranda do Douro (1), Mogadouro (7), Idanha-a-Nova (1), Ourique (1), Mértola (4) e Alcoutim (1).
Estas freguesias encontram-se atualmente a mais de 15 quilómetros do ponto de acesso a numerário mais próximo ou, encontrando-se a mais de 10 quilómetros, pertencem a municípios onde cada caixa automático serve, em média, mais de 100 quilómetros quadrados de território.
Assim, o regulador considera ser necessário “estruturar, desde já, uma resposta que permita salvaguardar o acesso da população a notas e moedas, dado que o numerário continua a ser o instrumento de pagamento mais usado em Portugal”.
E ressalva ainda que é, por outro lado, “o único instrumento de pagamento utilizado por segmentos mais vulneráveis da população. Mesmo no contexto da pandemia da Covid-19, e apesar da forte quebra registada nos levantamentos, a circulação de notas em Portugal aumentou, o que constitui um indício relevante da importância do numerário como reserva de valor”.
O Banco de Portugal avança ainda que “ponderará a utilização de ferramentas para mitigar os previsíveis efeitos decorrentes da existência de pontos de estrangulamento na rede de distribuição de numerário”.













