Um grupo de personalidades portuguesas, de vários quadrantes da vida cultural, social, académica e política, assinou um manifesto de solidariedade com Joacine Katar Moreira.
Rui Zink, José Eduardo Agualusa, Gisela João, Joana Barrios, João Salaviza, Rui Maria Pêgo, são alguns dos nomes que assinam uma carta aberta em conjunto em defesa da deputada eleita pelo Livre. O texto foi publicado na edição impressa do jornal Expresso.
Através da subscrição da carta, as várias personalidades portuguesas criticam os ataques que têm sido feitos à pessoa e figura pública de Joacine Katar Moreira. Como por exemplo, os comentadores políticos, que “publicam agora nos jornais colunas em que arejam uma crueldade, mal disfarçada de piedade paternalista, que não têm outro propósito senão desqualificar a deputada e, por arrasto, a representatividade política das pessoas racializadas.”
Dizem que “estes ataques servem, sobretudo, para deslegitimar a entrada na casa da democracia de uma agenda antirracista, não por procuração, mas protagonizada por pessoas racializadas, e expõem um profundo mal de escuta que atravessa a sociedade portuguesa em relação ao racismo.”
“O mal-estar evidenciado por tanta agressão era previsível, mas a sua intensidade choca. E a previsibilidade não torna aceitável aquilo que em democracia é intolerável: o ódio, a perseguição pessoal, o preconceito (…) na democracia não pode haver lugar ao linchamento público nem ao racismo. O povo falou a 6 de outubro, e agora é tempo de deixar a democracia seguir o seu curso”, sublinham.
Os signatários apelam assim ao “sentido de responsabilidade cidadã dos portugueses e das instituições públicas para que não deixem impor-se a linguagem do ódio e da desconfiança onde deve apenas haver lugar para a vigilância crítica, o debate aberto e a vontade de ir mais longe na construção de um futuro melhor para todos.”




