Os 22 homens mais ricos do mundo, onde se incluem o fundador da Amazon Jeff Bezos e o «pai» da Microsoft Bill Gates, têm mais dinheiro do que todas as mulheres em África. A conclusão é de um relatório da Oxfam, divulgado esta segunda-feira, na véspera do Fórum Económico Mundial, que se realiza em Davos, na Suiça, de 21 a 24 de Janeiro.
Mulheres e raparigas em todo o mundo contribuem com cerca de 10,8 biliões de dólares (9,6 biliões de euros), por ano, para a economia global, dedicando 12,5 mil milhões de horas diárias a trabalho de cuidador não remunerado, valor três vezes superior ao da indústria tecnológica global. Em todo o mundo, 42% das mulheres não conseguem emprego porque são responsáveis pelo trabalho de cuidador, enquanto nos homens essa percentagem é de apenas 6%.
De acordo com dados do relatório «Tempo de Cuidar – O trabalho de cuidador mal remunerado e não pago e a crise global da desigualdade», o envelhecimento da população, os cortes nas nas despesas públicas e a crise climática irão aumentar o fosso entre ricos e pobres e géneros.
Para o director-executivo da Oxfam, Danny Sriskandarajah, esta diferença baseia-se num sistema económico sexista. «Se os líderes mundiais que vão reunir esta semana [em Davos] levam a sério a questão da redução da pobreza e da desigualdade, precisam de investir urgentemente em cuidados e outros serviços públicos que tornem a vida mais fácil e enfrentar a discriminação contra mulheres e raparigas».
A Oxfam aponta também como Governos como o norte-americano e o brasil estão a cobrar poucos impostos aos mais ricos e a grandes empresas, prejudicando os mais desfavorecidos e acentuando as desigualdades. «Se 1% dos mais ricos pagassem uma 0,5% sobre a sua riqueza, teríamos dinheiro suficiente nos próximos 10 anos para criar 117 milhões de empregos em educação, saúde e de cuidado para idosos», garante.
O organização não-governamental estima ainda que 2,3 mil milhões de pessoas vão precisar de cuidados em 2030, um aumento de 200 milhões desde 2015.
Segundo a Oxfam, a situação actual precisa de mudar para construir uma economia que seja feminista e que valorize o que realmente importa (investir em saneamento básico, electricidade, creches, saúde e reduzir o número de horas de trabalho de cuidador para mulheres e jovens) em vez de promover a busca pela riqueza.










