A Europa registou o ano mais quente de sempre em 2019, com períodos de calor excepcional nos meses de Fevereiro, Junho e Julho, e um dos meses de Novembro mais húmidos já verificados, de acordo com o relatório climático do Estado Europeu de 2019, publicado esta quarta-feira e citado pelo ‘The Guardian’.
O documento revela ainda que 11 dos 12 anos mais quentes da Europa aconteceram nas últimas duas décadas. A Europa Central registou inclusive um período de seca durante o verão de 2019, no entanto no final do mesmo ano a quantidade de chuva foi quatro vezes superior à media normal, o que confirma a humidade registada em Novembro.
Em algumas regiões da Europa, as temperaturas no verão foram três a quatro graus mais altas do que o normal em 2019, segundo o relatório, com as ondas de calor em Junho e Julho a bater recordes em países como França e Alemanha.
Os dados evidenciam ainda uma tendência clara de aquecimento global. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) no seu relatório final para 2019, confirmou que o ano passado foi o segundo mais quente do mundo, com os oceanos a atingir as temperaturas mais altas já registadas.
Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, disse que, embora a crise do coronavírus provavelmente resulte numa queda temporária nas emissões de gases do efeito estufa, também pode tornar mais difícil a ajuda às pessoas afectadas pelo impacto da crise climática, alertando que ignorar a crise climática terá um impacto maior do que a pandemia da Covid-19.
«Embora a Covid-19 tenha causado uma grave crise económica e de saúde internacional, o fracasso em enfrentar as mudanças climáticas pode ameaçar o bem-estar humano, os ecossistemas e as economias», disse.
Taalas refere ainda que «Temos de achatar as curvas de pandemia e das alterações climáticas. Temos de mostrar a mesma determinação e união contra as alterações climáticas que contra a Covid-19. Temos de agir todos juntos no interesse da saúde e do bem-estar da humanidade, não apenas nas próximas semanas e meses, mas durante as próximas gerações», afirma.
Carlo Buontempo, director do Serviço de Alterações Climáticas da Copernicus, que compilou o relatório do Estado Europeu do Clima 2019, em nome da Comissão Europeia, disse: «Um ano quente excepcional não constitui uma tendência de aquecimento, mas com informações detalhadas dos nossos operadores de serviços, que abrangem muitos aspectos diferentes do nosso clima, somos capazes de fazer a ligação de todos os pontos para aprender mais sobre como o mundo está a mudar».







