1º de Maio. CGTP espera milhares de trabalhadores nas ruas por todo o país: “a luta vai ter de continuar a intensificar-se”

Andrea Araújo, membro da Comissão Executiva do Conselho Nacional da CGTP-IN, falou à ‘Executive Digest’ sobre os protestos na rua no 1º de Maio

Francisco Laranjeira

O 1 de Maio, Dia do Trabalhador, é assinalado em Portugal desde 1890, quatro anos após a primeira manifestação de 500 mil trabalhadores pelas ruas de Chicago, nos Estados Unidos.

Embora a data, nos primeiros anos, fosse celebrada com a realização de piqueniques de confraternização, com alguns discursos e algumas romarias aos cemitérios em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais, o movimento sindical cresceu até se transformar numa ação de massas de trabalhadores à procura de melhores condições de vida.

E 2023 promete não ser diferente, a fazer fé em Andrea Araújo, da Comissão Executiva do Conselho Nacional da CGTP-IN e responsável pela área do Emprego e Formação Profissional, que em exclusivo à ‘Executive Digest’ levantou o véu sobre o que esperar esta segunda-feira.

“Neste 1º de Maio, vamos lutar pelo aumento dos salários dos trabalhadores, pelas 35 horas para todos, contra o aumento do custo de vida e pela dinamização da negociação e contratação coletiva. Vamos ao 1º de Maio pela defesa e reforço do Serviço nacional de Saúde e vamos ainda defender os serviços públicos e as funções sociais do Estado”, exortou a CGTP para celebrar esta data.

É esperada uma grande adesão ao movimento de protesto?

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“Tudo indica que sim, que nesta segunda-feira, no Dia Internacional do Trabalhador, teremos uma grande jornada de luta em todo o país. A CGTP comemora o 1º Maio em praticamente todos os distritos com concentrações, manifestações e iniciativas culturais e desportivas e o que temos observado é que este tempo está marcado por uma intensa luta e resistência dos trabalhadores nos locais de trabalho, e isso terá reflexo nas ruas em todos os distritos”, sublinhou a responsável sindical.

“E terá reflexo porque os trabalhadores vivem tempos muito difíceis devido ao aumento brutal do custo de vida e isso não tem sido acompanhado com aumentos de salários que possam corresponder a este aumento. E por isso os trabalhadores estão a sentir uma enorme perda do seu poder de compra e este 1º Maio será palco desse descontentamento”, reforçou.

E onde estão marcadas as ações de protesto da CGTP?

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“Angra do Heroísmo » Horta » Ponta Delgada » Funchal » Aveiro » Beja » Pias » Ervidel » Guimarães » Bragança » Castelo Branco » Covilhã » Tortosendo » Coimbra » Figueira da Foz » Évora » Arraiolos » Montemor-o-Novo » Vendas Novas » Faro » Guarda » Leiria » Lisboa » Torres Vedras » Portalegre » Porto » Santarém » Setúbal » Alcácer do Sal » Grândola » Sines » Viana do Castelo » Vila Real » Viseu » Mangualde » Lamego”, pode ler-se no site da sindical.

“Mais e melhor é possível”

“Os trabalhadores sabem que é possível viver melhor no nosso país e portanto exigem uma real valorização do trabalho e isso faz-se com um aumento significativo dos salários e pensões. Por outro lado, a exigência da fixação dos preços máximos de bens e serviços essenciais e a taxação efetiva dos lucros das empresas. Num momento em que os trabalhadores vivem com tantas dificuldades, assistimos as empresas a somar lucros atrás de lucros, que não tem qualquer correspondência com os sacrifícios que os trabalhadores têm feito. A vida digna é urgente e o 1º Maio será uma grandiosa jornada de luta”, referiu Andrea Araújo.

“Este ano, por maioria de razão, os trabalhadores vão de facto sair à rua para que se ouça a sua voz. A perda de poder de compra dos trabalhadores é um problema transversal, está presente em todos os sectores de atividade e em todas as camadas da população. Não temos dúvidas que o 1º Maio será uma grande jornada de luta, que vai dar visibilidade a estes problemas”, sublinhou, garantindo não ser possível avançar com um número de protestantes.

“Sabemos que serão milhares de trabalhadores por todo o país. Temos sentido os trabalhadores muito disponíveis para lutar todos os dias. Os trabalhadores percebem perfeitamente que para conseguirem os seus objetivos têm de lutar e o 1º Maio será mais um momento de luta e não será o último. A luta vai ter de continuar a intensificar-se”, finalizou.

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