19ª Conferência Executive Digest: Do século XVI ao mundo digital passaram 500 anos na história dos CTT

Subordinada ao tema “Os Imperativos da Transformação Digital – Estratégias, Oportunidades, Riscos & Mitos”, a XIX Conferência Executive Digest reuniu um vasto grupo de especialistas para debater e partilhar desafios e oportunidades que esta temática encerra.

O administrador dos CTT, João Sousa, sublinhou no encerramento da XIX Conferência Executive Digest todo o trabalho de transformação digital e os diversos serviços oferecidos pela empresa que assinala em 2020 os seus 500 anos. “Gostamos muito de nos afirmar como a primeira startup portuguesa. Fomos a primeira empresa a ligar pessoas e empresas, e a comunicar. Esse é um dos nosso motes. Claramente, que  para sobreviver 500 anos num mundo empresarial competitivo e desgastante, temos de ter no nosso ADN um contexto de inovação e de mudança”, disse João Sousa.

Os CTT são atualmente uma das empresas com maior rede de retalho em Portugal: 2400 pontos de venda, cinco mil postos de pagamentos de payshop (associados à unidade de pagamentos), uma força de vendas segmentada que aborda todas as empresas em Portugal e um conjunto de unidades de negócio que estão a ajudar a transformar a companhia. “Esta Gestão está lá para preparar os próximos 500 anos. Mais do que uma missão, é claramente um dever”, acrescenta.

Como veem os próximos 500 anos? João Sousa sublinha, em primeiro lugar, a entrega total. “É uma grande responsabilidade de uma empresa que tem mais de 12 mil colaboradores a entrar todos os dias na casa dos portugueses. Somos especialistas a levar encomendas e cartas onde quer que seja, temos uma grande confiança, somos um dos principais players de colocação de dívida portuguesa. Portanto, as pessoas acreditam e confiam nesta empresa. Estamos a desenvolver um conjunto de outras áreas de negócio para transformar a empresa”, explica.

O administrador dos CTT falou ainda sobre grandes áreas de negócio como o correio tradicional, que mesmo sendo um negócio em decréscimo – porque se enviam menos cartas – está a ser reinventado. Um dos grandes exemplos desta reinvenção  é a entrega do cartão do cidadão nas casas dos portugueses com a comodidade e a segurança que o estado do País exige.

Outra unidade de negócio alavancada nesta procura e necessidade de levar do ponto A ao ponto B é o negócio do Expresso. “Nós posicionamo-nos como a empresa que tem a oferta mais alargada de Expresso em Portugal”, continua João Sousa.

Os CTT têm também uma unidade grande de serviços financeiros onde a parte mais conhecida é o banco CTT mas também a payshop que é uma unidade de pagamentos. “Para a transformação digital é necessário não só ter a loja online mas ter toda uma cadeia de valor onde os pagamentos são uma ferramenta essencial. E estamos a desenvolver há um ano uma área de oferta de soluções empresariais. E por isso estamos a transformar a empresa para os próximos 500 anos”, sublinha.

“No mundo hoje mais digital tudo é feito em colaboração não só com os nossos clientes mas claramente com os parceiros. Os CTT hoje são uma empresa aberta às parcerias, ao parceiros que podem ser grandes ou pequenas empresas nacionais ou internacionais porque não se pode estar hoje no mundo digital sem se estar numa óptica colaborativa”, acrescenta.

João Sousa explicou ainda que o mundo e o perfil do e-buyer português está a aumentar, tal como aumentam os seus valores de compra, as vezes e a recorrência da compra e o valor e o ticket médio do que está a acontecer. “Nesta transformação digital o mundo está-se a adaptar-se e a pandemia veio alterar os paradigmas do e-buyer e dos produtos que são comprados”.

Além disso, recorrendo a dados do estudo de E-commerce sobre os CTT, os “produtos farmacêuticos e alimentares dispararam este ano”; “não existe um período específico tanto do dia como da semana para fazer compras” e “o PC portátil e o smartphone são os instrumentos de excelência”. Outros dados indicam que “45% das empresas duplicaram as vendas” através do mundo digital; “cerca 30% acham que vão aumentar vendas digitais face a 2019” e 46% da PME afirmam ter mais 25% de vendas por mês no online.

João Sousa admite ainda que “as entregas em casa e o click and collect e os lockers” estão a ganhar mais peso e os CTT desenvolvem “uma rede de cacifos inteligentes para encomendas com recurso a soluções nacionais”. Outro ponto mencionado é que “o same day delivery veio mesmo para ficar”, sendo necessário “trazer para o digital a mesma experiência da compra física”. No E-commerce, Sousa sintetiza que “os pontos de entrega adicionais são claramente uma preocupação, tal como a experiência na compra e a automatização de informação prestada aos e-buyers”. Associadas a esta realidade estão diferentes ofertas dos CTT: receber onde estiver; comodidade; facilidade na alteração de dados.

No capítulo da transformação digital, João Sousa não esqueceu a segmentação em três grandes grupos as empresas em Portugal: as médias empresas e grandes empresas que já tem o seu catálogo digital – existe hoje um marketplace que é o maior marketplace português, que é o Dott (50% CTT, 50% Sonae), depois encontra-se um segmento de empresas que são as PME que não tinham a sua loja online e foi desenvolvida uma plataforma que atualmente já tem mais de 1400 PME que aderiram a esta plataforma de loja online.

João Sousa referiu ainda as ações destinadas aos pequenos produtores locais sem sofisticação para o digital. Nos CTT comércio local esta plataforma “é trabalhada em conjunto com os municípios, sendo acelerada em duas ou três gerações a entrada do comércio local no digital e abrindo caminho a que os seus produtos sejam vendidos” à escala nacional.

Lojas online com sistema logístico e de pagamentos integrado, feiras virtuais que permitem a venda de produtos online e a educação digitalizada são outras propostas dos CTT. “Os CTT são muito mais do que correio e encomendas”, resumiu Sousa. “Também não esquecemos a vertente da sustentabilidade e, sendo o operador com maior frota de veículos verdes, estamos a desenvolver um serviço piloto de Green Deliveries”, informou. “Estamos cá para ligar pessoas e empresas”, concluiu o administrador.

*Texto de António Sarmento e Paulo Jorge Pereira

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