19.ª Conferência da Executive Digest: Futuro faz-se de confiança. Abram alas ao ‘Chief of Trust’

A 19.ª Conferência da Executive Digest, subordinada ao tema “Os Imperativos da Transformação Digital – Estratégias, Oportunidades, Riscos & Mitos”, decorreu esta quinta-feira, de manhã, e reuniu um vasto grupo de especialistas para debater e partilhar desafios e oportunidades que esta temática encerra.

A adoção massiva da tecnologia, na realidade digital em que vivemos hoje em dia, levou Pedro Borges, diretor executivo da área de Vendas de Soluções e Tecnologia da Microsoft, a trazer a este evento a questão basilar da confiança (‘trust’). Segundo um estudo recente da IDC, entre as duas mil maiores empresas do mundo, 50% estima ter até 2023 instituído o cargo de ‘Chief of Trust’. “Este novo executivo terá a missão de olhar e harmonizar aqueles que são os pontos de vista dentro da organização a tudo aquilo que diz respeito à segurança da informação ou à privacidade dos dados”, explica o especialista.

Mas estes executivos terão pela frente uma “tarefa árdua”, ressalva. Hoje em dia, existe um número de ‘stakholders’ significativo, a informação está disseminada e, para esta transformação digital acontecer em pleno, é necessário confiança. Tendo assim a missão de conquistar as várias pessoas inerentes a este processo.

Atendendo a que, através do uso da tecnologia, podemos ligar-nos com muito mais facilidade, a mais pessoas e através de acessos mais simples (na palma da mão), as pessoas conseguem atualizar-se e ganhar mais conhecimento, mas também as empresas usufruem deste potencial, podendo tornar as organizações mais flexíveis, reduzir os seus custos, alcançar uma maior eficiência operacional, e apostar ainda na componente da inovação que “inevitavelmente lhe vai permitir transformar o seu negócio, realizar novos produtos e novos serviços, ajudando a transpor as barreiras físicas e a olhar para o seu negócio de uma forma global”, salientou Pedro Borges.

Nesta globalização, empresas e pessoas estão cada vez mais móveis. Num sem número de ligações, atualmente, “para haver um bom negócio, tem de haver uma boa relação; para haver uma boa relação, tem de haver confiança. Numa relação ente duas partes nunca se sabe muito bem quando obtivemos essa confiança mas quando a perdemos todos sabemos bem quando é que aconteceu”, reforçou.

O poder da migração

A Microsoft assume que pretende liderar no tema da confiança. E esta confiança prende-se essencialmente com transformação e a migração da informação, por exemplo, para a ‘cloud’. É com estes princípios de transparência que a tecnológica pretende assegurar a continuidade desta migração. Segundo o especialista, continua a crescer o número de empresas e pessoas que confiam a sua informação a uma ‘cloud’ pública, como é a da Microsoft. Mas, cada vez mais também, se coloca a questão: de que forma eu tenho acautelados os meus dados? Que processos existem nesta oferta sobre quem tem acesso e pode controlar os meus dados? E que mecanismos legais existem e que me protegem?

É no meio desta incerteza que a transformação digital segue caminho, sendo certo que “nunca a tecnologia contribuiu tanto, em tão pouco tempo, para a aceleração económica do mundo”, destacou o especialista. Mas nesse cenário até o ganho de competências tem de ser feito a um ritmo muito acelerado.

Mas, para a Microsoft, a tecnologia tem de ser sinónimo de inclusão, razão pela qual defende que deve ser feito um “salto geracional” de forma a qualificar quem está no mercado de trabalho hoje e tem de agarrar as oportunidades de funções futuras. É um processo educacional, através da tecnologia, que “ainda em alguns países, talvez não do primeiro mundo, ainda está por fazer”, frisou.

Aquilo que já se sabe até aos dias de hoje sobre a migração de dados é, para a tecnológica, a base, de conhecimento e cruzamento de informações, que permite beneficiar pessoas e empresas, conferindo-lhes uma maior capacidade de gerar ainda mais conhecimento. A partir daqui desenvolve as relações de confiança, e esta esta de ser “muito clara” entre as duas partes, esclarecendo quais são os mecanismos de proteção.

“Entendemos que a privacidade é um direito humano, um direito de todos nós. Por isso para nós é um ‘statement’: os dados são dos clientes e só a eles pertencem. E por isso não há disponibilização de dados nem marketização. Não existe privacidade sem segurança”, frisou.

Em matéria de segurança, e atendendo a que a pandemia fez acontecer em 3 ou 4 meses o que estava pensado para 3 ou 4 anos, observou-se ao disparo de 700% em ataques cibernéticos, o que obrigou a reforçar uma visão integrada dos serviços que são prestados. E nestas matérias, a tecnológica está a investir um bilião de dólares, por ano, sendo que apenas num mês conseguiu prevenir cinco biliões de ataques, admitindo que é hoje a empresa mais atacada do mundo.

Assim, considerando que o sucesso desta jornada terá ainda de passar pelas questões regulatórias, a empresa tem trabalhado no sentido de que haja uma ‘legislação da próxima geração’, tendo já obtido alguns êxitos, nomeadamente na questão do reconhecimento facial.

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