O filósofo Noam Chomsky e a escritora JK Rowling são apenas alguns dos 150 intelectuais bem conhecidos do público que decidiram escrever uma carta de alerta para a intolerância que parece reinar nos Estados Unidos da América. Mostram-se preocupados com a incapacidade de em aceitar visões contrárias, recorrendo em alguns casos à humilhação pública e ao ostracismo.
A carta, em jeito de manifesto, foi publicada na revista Harper’s e encontra no debate aberto o seu principal pilar. Os signatários exigem o direito a discordar e a possibilidade discutir pontos de vista opostos sem represálias.
“As nossas instituições culturais enfrentam um momento de prova”, lê-se logo na primeira linha da carta. Segundo os autores, os protestos que pedem justiça social e racial colocaram em cima da mesa a necessidade de uma reforma na polícia mas também de maior igualdade no geral da sociedade. Contudo, sublinha, este reconhecimento também terá contribuído para intensificar a adopção de um conjunto de atitudes que tendem a enfraquecer as normas do debate aberto e da tolerância a favor de uma “conformidade ideológica”.
Na carta, os autores sublinham que aplaudem a primeira parte deste movimento mas que não concordam com a segunda. “As forças do ‘iliberalismo’ estão a fortalecer-se em todo o Mundo e têm um aliado poderoso em Donald Trump, que representa uma ameaça real à democracia”, referem.
Os signatários esclarecem que a intolerância que sentem chega de todos os lados, mas que seria algo já expectável vindo da Direita. Porém, parece ser um clima transversal a todas as esferas e posições políticas.
“Editores são despedidos por publicarem artigos controversos. Livros são retirados por alegada falta de autenticidade. Jornalistas são proíbidos de escrever sobre certos tópicos. Professores são investigados por citarem trabalhos em aulas de Literatura. Um investigador é despedido por fazer circular um estudo académico revisto por pares. E os responsáveis de organizações são expulsos por aquilo que são, por vezes, erros desajeitados.”
A carta evidencia ainda que a restrição do debate, seja por um governo repressivo ou por uma sociedade intolerante, prejudica quem tem menos poder e torna a população menos capaz de participar na democracia.













