15 minutos ou mais de uma hora? Tempo até ao hospital coloca Portugal ao nível da Europa de Leste

Portugal está entre os países europeus onde o acesso da população a unidades hospitalares implica maiores deslocações por estrada, revelando disparidades regionais profundas. Segundo o mais recente relatório da Eurostat, sete regiões do país apresentam uma realidade em que pelo menos metade dos residentes necessita de mais de 15 minutos de carro para chegar a um hospital.

Revista de Imprensa
Novembro 17, 2025
9:01

Portugal está entre os países europeus onde o acesso da população a unidades hospitalares implica maiores deslocações por estrada, revelando disparidades regionais profundas. Segundo o mais recente relatório da Eurostat, sete regiões do país apresentam uma realidade em que pelo menos metade dos residentes necessita de mais de 15 minutos de carro para chegar a um hospital. Em alguns concelhos, esse percurso ultrapassa mesmo uma hora, como acontece em Barrancos, que regista uma distância média de 90 minutos, Freixo de Espada à Cinta, com 79 minutos, e Miranda do Douro, onde os habitantes percorrem cerca de 72 minutos.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN), estes dados colocam Portugal ao nível de vários países da Europa de Leste — como Roménia, Croácia, Polónia ou Eslovénia — e muito abaixo dos padrões do centro e norte da Europa. As regiões mais afetadas são o Alto Tâmega e Barroso, Tâmega e Sousa, Beira Baixa, Lezíria do Tejo, Alentejo Central, Alentejo Litoral e Baixo Alentejo, onde cerca de 50% da população vive longe de um hospital, segundo o retrato por microrregiões da Eurostat. Também em Espanha há nove regiões com problemas semelhantes, e a Grécia regista 15 áreas onde as distâncias são igualmente expressivas.

A Beira Baixa é um dos casos mais evidentes: os residentes de Oleiros demoram cerca de 47 minutos a chegar ao hospital de Castelo Branco, segundo o INE. O presidente da Comunidade Intermunicipal, João Lobo, defende que, apesar de não ser possível reduzir a distância geográfica, “é necessário investir na mobilidade”, afirmando que está em curso um concurso para reforçar as carreiras e horários e que “será essencial complementar a oferta com transporte flexível”. Situação semelhante vive-se em Montalegre, no Alto Tâmega e Barroso, onde a população está a 48 minutos de um hospital, e em Ribeira de Pena, a 42 minutos. O presidente da CIM, Nuno Vaz, considera que as populações sentem “esquecimento e desconsideração”, apelando ao Governo para qualificar estruturas como o Hospital de Chaves e os centros de saúde dos seis concelhos da região.

No Tâmega e Sousa, algumas localidades ficam a mais de 50 minutos de uma unidade hospitalar. Nuno Fonseca, presidente da comunidade intermunicipal, explica que já pediu reuniões com a Unidade Local de Saúde e com a ministra da Saúde, defendendo soluções que envolvem um melhor aproveitamento do Hospital de São Gonçalo, em Amarante, e a instalação de urgências em zonas críticas para reduzir assimetrias. Também nas regiões de Terras de Trás-os-Montes, Beiras e Serra da Estrela, Coimbra e Alto Alentejo, cerca de 45% da população necessita de mais de 15 minutos de deslocação, com Miranda do Douro novamente a destacar-se pelos seus 72 minutos. Pedro Lima, presidente da CIM de Terras de Trás-os-Montes, lembra que a centralização de serviços hospitalares em Bragança agravou o problema, exemplificando com o caso de Freixo de Espada à Cinta.

As disparidades estendem-se a diversos municípios: Mêda, nas Beiras e Serra da Estrela, regista 47 minutos; Góis, na região de Coimbra, 44 minutos; e Ponte de Sor, no Alto Alentejo, apresenta 35 minutos de distância. Embora regiões como Alto Minho, Douro, Viseu Dão Lafões, Leiria, Oeste e Médio Tejo apresentem melhores indicadores, continuam abaixo da média europeia, onde 83,4% das pessoas vivem a menos de 15 minutos de um hospital. Já Aveiro, Cávado e Ave aproximam-se desse valor, com 75% a 85% da população próxima de unidades hospitalares. Apenas quatro regiões portuguesas têm entre 5% e 15% da população a viver longe de um hospital: Área Metropolitana do Porto, Península de Setúbal, Algarve e — de forma totalista — Grande Lisboa.

A nível europeu, o relatório da Eurostat assinala que, em 2023, uma em cada quatro regiões tinha pelo menos 95% da população a menos de 15 minutos de um hospital. Em Portugal, os melhores indicadores surgem nas áreas metropolitanas: no Porto e em Lisboa, os residentes demoram, em média, apenas seis minutos a chegar a uma unidade hospitalar, segundo o INE — valores que contrastam profundamente com aqueles registados no Interior e que evidenciam a persistência de desigualdades territoriais no acesso aos cuidados de saúde.

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