O Dia Internacional das Migrações assinala-se hoje, 18 de Dezembro, e é a desculpa ideal para a Pordata – projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos – revelar alguns dados estatísticos sobre a relação de Portugal com este tema. Eis 13 destaques sobre o contributo do saldo migratório na dinâmica da população, a evolução dos emigrantes e a importância das remessas, entre outros:
1 – O salto migratório (diferença entre o número de pessoas que imigram e o número de pessoas que emigram) de Portugal foi negativo entre 2011 e 2016, voltando a ser positivo nos últimos dois anos. No entanto, sublinha a Pordata, os valores positivos não foram suficientemente elevados para compensar os saldos naturais (diferença entre o número de nados-vivos e o número de óbitos) negativos;
2 – Só no ano passado, emigraram perto de 82 mil pessoas. Destas, quase quatro em cada 10 saíram de Portugal a título permanente, ou seja, por um período igual ou superior a um ano. Entre 2011 e 2014, saíram quase meio milhão; entre 2015 e 2018 saíram cerca de 360 mil;
3 – Os homens emigram mais do que as mulheres: o sexo masculino representa dois terços do total de emigrantes. Em termos etários, ao contrário da tendência dos anos anteriores, desde 2017 que mais de metade dos emigrantes permanentes tem 30 ou mais anos. Mais: desde 2014, em em cada quatro tem mais de 40 anos;
4 – No sentido inverso, em 2018, entraram em Portugal cerca de 43 mil pessoas com a intenção de permanecer no País. Trata-se de um aumento de 13 mil pessoas em relação a 2008. A Pordata revela ainda que mais de metade dos imigrantes em 2018 corresponde a mulheres e que, desde 2014, mais de metade tem 30 ou mais anos;
5 – Sabia que Portugal faz parte dos 10 países da UE-28 em que a percentagem da população estrangeira no total da população residente é inferior a 5%? Por cá, em 2018, não ia além dos 4,1%. Ao lado de Portugal estão também países como Finlândia, Lituânia, Roménia e Polónia;
6 – Em Portugal, 2,5% da população empregada é estrangeira, sendo que a população estrangeira mostra ser mais vulnerável ao desemprego – a taxa de desemprego atinge quase 12%, enquanto entre os nacionais é de 7%. A título de curiosidade, Luxemburgo é o único país analisado pela Pordata onde a população empregada estrangeira fica acima dos 50%;
7 – Existem aproximadamente 480 mil cidadãos estrangeiros com estatuto legal de residente em Portugal, sendo que cerca de um em cada quatro é brasileiro. Seguem-se, por ordem decrescente, os cabo-verdianos, romenos e ucranianos;
8 – Por outro lado, na última década, as comunidades estrangeiras que mais cresceram, em termos relativos, foram: nepaleses (21 vezes mais, embora o total não ultrapasse os 11,5 mil cidadãos) e os franceses (quatro vezes mais). A Pordata sublinha ainda que quase duplicou o número de indianos, espanhóis, chineses e britânicos;
9 – E onde vivem os imigrantes? Cerca de dois terços da população estrangeira com estatuto de residente vive na Área Metropolitana de Lisboa e Algarve. O município de Lisboa destaca-se por concentrar perto de 16% do total;
10 – Nos últimos 10 anos, a nacionalidade portuguesa tem sido concedida, em média, a cerca de 22 mil cidadãos estrangeiros por ano. Em 2016, este valor chegou mesmo aos 25 mil;
11 – As remessas de emigrantes atingiram, no ano passado, 3,6 mil milhões de euros, o equivalente a 1,8% do PIB. Portugal é o terceiro país com maior peso de remessas em percentagem do PIB. À frente, só mesmo a Croácia e a Bulgária;
12 – França, Suíça e Reino Unido são os três países de onde chega, actualmente, o maior volume de remessas de emigrantes, representando dois terços do total. Em 1996, França e Suíça também faziam parte do top, mas o Reino Unido era substituído pelos EUA;
13 – Por outro lado, em 2018, as remessas dos imigrantes chegaram aos 533 milhões de euros, ou seja, cerca de 0,3% do PIB. Este é um valor 3,5 vezes superior ao registado em 1996. Além disso, a Pordata refere que quase metade tem como destino o Brasil (48%), seguindo-se China (10%) e França (5%).














