11 ameaças geradoras de oportunidades de negócio em 2022

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Os custos crescentes de materiais, aumento da concorrência, ausência de mão-de-obra qualificada, são algumas das ameaças mais comuns que podem prejudicar a sua organização, mas que, por outro lado, podem ser geradoras de novas oportunidades de negócio para este ano. Com as grandes mudanças na tecnologia, as empresas precisam ser mais rápidas na sua adaptação. Têm de investir mais em formação para a requalificação de competências.

Neste artigo são focadas onze ameaças que podem atrapalhar a evolução do seu negócio, mas também reflexões pontuais sobre oportunidades que podem ser criadas.

A primeira ameaça que pode afectar o seu negócio é a ausência de materiais: antes da invasão da Rússia na Ucrânia,  já se falava na falta de semicondutores no mercado e do enorme investimento que as grandes multinacionais têm feito para colmatar a ausência desses produtos no mercado.

A escassez de semicondutores,  que envolve muitas indústrias, está a ter um grande impacto no sector  automóvel. Os fabricantes começam a arranjar soluções para contornar o problema, eliminando temporariamente funcionalidades. É exemplo o caso dos veículos Ford Explorers que, sem algumas funcionalidades devido à ausência de semicondutores, reduziram o preço para compensar.

Desde o petróleo ao ouro, passando pelo gás natural e atingindo o trigo,  os preços de várias matérias-primas essenciais dispararam com a guerra Rússia/ Ucrânia. Os aumentos poderão colocar em causa a continuidade de muitas empresas, por não terem condições de absorver esses custos e terem de os repercutir aos seus clientes.

A segunda ameaça é a volatilidade financeira: um recente relatório da Intuit QuickBooks (empresa global de tecnologia para a área financeira), realizado em março de 2022, mostra que noventa e sete por cento dos empresários americanos dizem estar preocupados com a inflação (aumento contínuo e generalizado dos preços na economia), principalmente com a imprevisibilidade da duração dos custos que ameaçam os negócios. 

Um dos aspectos da volatilidade, que pode impactar empresas de todas as dimensões,  são as forças económicas globais, particularmente por causa das taxas de câmbio. Por exemplo, quando o euro é forte, pode ser mais barato comprar produtos no estrangeiro do que em Portugal. Esta situação tem um efeito directo sobre a posição competitiva das empresas portuguesas.

A terceira ameaça é o aparecimento de novas categorias de clientes: abrem-se  novas oportunidades de mercado quando se identificam grupos de clientes que não estão satisfeitos com o que está disponível. No sector  agrícola, por exemplo, os pequenos produtores inovadores, de todo o país, apressaram-se a satisfazer a crescente procura de produtos biológicos.

A quarta preocupação que pode atrapalhar o seu negócio são os repentinos impulsos no crescimento do mercado: quando um mercado cresce muito subitamente, nasce uma oportunidade para as primeiras empresas acelerarem a sua produção para satisfazer a procura crescente. 

No mercado em contracção, a compra de mercadoria para armazenar representa um risco, porque,  no limite,  compram-se coisas de que não se precisa verdadeiramente, como aconteceu no início da pandemia com o papel higiénico, agravando a escassez e inflacionando os preços.

A Nike representa um outro modo de actuação e tem sido capaz de ser pioneira, respondendo com celeridade ao salto fenomenal da procura de todo o tipo de calçado desportivo. Satisfaz tanto o segmento de mercado profissional como o amador, do running ao futebol. Nos ténis de corrida,  a Nike é a líder indiscutível da categoria, com 51% da participação de mercado.

A quinta preocupação é a falta de profissionais altamente qualificados: as oportunidades de negócio surgem frequentemente quando trabalhadores qualificados se tornam disponíveis. 

Numa recente edição do Jornal Expresso, sobre o mercado de trabalho em Portugal e os profissionais que mais fazem falta, em conjugação com  fontes  do IEFP, Randstad, Michael Page e Manpower,  surge em  primeiro plano  a necessidade de profissionais na área da tecnologia, especialmente em cibersegurança, comércio electrónico, logística e programadores.

Verifica-se também um aumento na procura de cursos de marketing digital, de SEO  ou email-marketing.

Uma possível sexta ameaça, são os novos modelos de organização: diferentes formas de fazer negócios representam novas oportunidades de negócio. A primeira fase da pandemia obrigou muitas empresas a uma reestruturação dos seus planos de negócios, reduzindo o seu tamanho e levou também à terceirização de funções para outras empresas, nomeadamente na gestão de sistemas informáticos, formação online, ou a produção de campanhas de email-marketing para os seus clientes.

A sétima preocupação diz respeito aos novos canais de distribuição: não há realmente nada mais estimulante no mundo empresarial do que encontrar uma nova forma de chegar aos clientes, a um custo reduzido. O exponencial crescimento da Internet baseia-se na sua promessa de ser uma forma eficiente e eficaz de chegar aos clientes com todo o tipo de produtos e serviços. Portugal tem hoje 84% da população com acesso à internet e o conhecimento sobre Modelos de Negócio, Estratégia de Marketing, Google Ads, Otimização de Sites, Google Adsense, NFT, Consultoria, E-Commerce, Metaverso, são importantes para acompanhar as tendências,  posicionando a sua empresa na vanguarda do mercado.

A alteração de leis ou regulamentos, no que constitui a oitava preocupação ou ameaça, será o enquadramento do governo e a  forma como as empresas operam em todo o tipo de indústrias. Os programas, regras e regulamentos governamentais afectam frequentemente o resultado final, principalmente quando a indústria sofre com alterações sistemáticas ou, por outro lado,  a ausência delas.

Veja-se a diversificação de importação de produtos agrícolas que implica o aliviar da regulamentação das características dos cereais comprados ao exterior

Com os aumentos num crescendo,  em consequência  da guerra na Europa, é importante a flexibilização de pagamentos fiscais ao nível das prestações do IVA e retenções na fonte de IRS e IRC, especialmente às empresas de transportes por conta de outrem.

A nona preocupação diz respeito às tendências em mudança: as tendências gerais da população podem ter efeitos profundos em certos mercados. O inevitável envelhecimento dos Baby Boomers (uma pessoa nascida entre 1946 e 1964 na Europa), por exemplo, colocou um travão ao crescimento das férias longínquas e tropicais, optando por férias mais perto, no país ou continente.

A nova competição mais agressiva constitui a décima segunda ameaça: embora os novos concorrentes tenham geralmente uma batalha difícil no investimento inicial e consistência, sempre que entram num mercado trazem consigo as vantagens de uma energia fresca,  do novo talento e do desejo ardente de vencer. 

Aquando da escassez de petróleo dos anos 70, as empresas japonesas de automóveis entraram no mercado do Reino Unido e dos EUA com carros pequenos e eficientes em termos de combustível. Tinham uma estratégia de marketing séria e um compromisso de sucesso a longo prazo.  

Também a forma como a concorrência usa a criatividade e a propriedade intelectual, normalmente protegidas por direitos de autor e patentes, não deixa de ser preocupante, pois as patentes expiram. As empresas têm de se preparar para a concorrência que, inevitavelmente, se segue. 

As empresas farmacêuticas, por exemplo, tiveram de descobrir como competir com os medicamentos genéricos mais baratos, disponíveis logo após as marcas de prescrição, bem sucedidas, perderem a sua proteção de patentes.

Por último, falamos da décima primeira ameaça: produtos de substituição. O que acontece quando uma engenhoca aparece para substituir outro produto? 

O exemplo de  produto substituto está na indústria de computadores, smartphones, tablets e portáteis (notebooks). Podem ser considerados substitutos, já que complementam em parte, ou na totalidade, as funcionalidades de um computador de mesa. A existência de substitutos faz com que a fatia do mercado diminua, como foi o caso dos computadores.

Conforme retratado no artigo  «As 5 fases da revolução da tecnologia», o exemplo na adopção dos computadores e a lógica estratégica  levam a uma produção mais eficiente utilizando nova tecnologia, criando oportunidades de negócio. Os empregadores compravam os computadores para os seus empregados, porque os computadores os tornavam mais produtivos. Quando os consumidores começaram a ficar habituados a utilizar os computadores no trabalho, um número crescente quis comprar um computador para a sua casa.

O número de potenciais oportunidades e ameaças numa indústria não tem limite  na forma, na tipologia e no meio. Por isso, um plano de negócios e um plano de marketing vencedor deve incluir uma análise da situação que indique tanto as maiores oportunidades, como as ameaças mais explícitas à sua empresa, para poderem antecipar formas de lidar com ambas como parte integrante do seu processo de planeamento. 

Neste sentido e porque as ameaças também trazem luz que ilumina a escuridão, a  aposta nas melhores e recentes tecnologias,  novas utilizações para produtos antigos e formas inovadoras de chegar aos clientes, abrem oportunidades para as quais a sua empresa deve estar atenta.

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Frederico Carvalho é CEO da DIGITALFC, docente universitário e consultor de marketing na área digital

É também Fundador e Organizador do CLICKSUMMITConferência de Marketing e Vendas Online, e Business Partner da conferência DIGITALKS Portugal.

É co-autor do livro best-seller Marketing Digital para Empresas – Guia prático para aumento das vendas na Internet.

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