A ComprarCasa, rede imobiliária da Península Ibérica (com mais de 150 escritórios na península), procurou saber, desde o início desta crise causada pelo coronavírus, quais eram os principais riscos, desafios e medos dos protagonistas do setor do imobiliário.
“As lojas realizam diariamente reuniões conjuntas e individuais com todos os elementos das suas equipas e, a marca, reúne, também com frequência com gerentes, responsáveis comerciais e agentes, com o objetivo de identificar os principais problemas para depois poder fornecer soluções”, explicam Luís Mário Nunes, CEO da ComprarCasa Portugal e Toni Exposito, CEO da ComprarCasa Espanha.
Reunidas as informações e dados de quem está no terreno, a empresa identificou 10 hábitos que o coronavírus vai mudar no setor, numa mudança que “talvez seja para melhor”, defende.
Afinal, o que muda?
– Há razões para alarme, mas esta crise não é como a de 2008 (sub-prime e posteriormente da entrada da Troika no mercado português). Se na crise passada o tijolo, a construção/imobiliário foi o pavio que desencadeou a crise económica, neste caso, é um dos afetados. Além disso, esta experiência relativamente recente levou os bancos centrais e o BCE (Banco Central Europeu) a saber como agir diante da incerteza, e algumas ideias estão a começar a ser tidas em conta para amenizar os efeitos desta situação global.
– Queda de preços e capacitação do comprador. Inevitavelmente, esta crise forçará muitos a reduzir os preços de suas casas e adaptá-los a novas circunstâncias. Fala-se de quedas entre 10% e 15%. Talvez ainda seja muito cedo para falar de percentagens, pois isso vai variar em função da profundidade e duração desta crise, mas é claro que estamos perante próximos meses em que o comprador voltará a ter a palavra.
– A experiência encoraja-nos a esperar que passem os momentos mais críticos. Situações similares já vividas demonstram que, após os momentos mais críticos, a recuperação deste setor é sempre muito intensa, ainda maior do que o esperado. “A extrema volatilidade observada nos mercados financeiros e as baixas taxas de juros levam-nos a acreditar que o
sector imobiliário continuará a consolidar-se como um destino interessante para investimentos”, afirmam os responsáveis.
– Explosão das ferramentas tecnológicas. Este período de confinamento ajudará a dar o salto tecnológico de que o setor necessita. Muitos profissionais do setor imobiliário estão a aproveitar esta pausa para treinar, atualizar as suas ferramentas, fortalecer relações com os clientes graças à tecnologia, etc.
– Muitos imóveis que num passado recente estavam no Alojamento Local mudam de finalidade. Perante os sérios efeitos que tudo indica sofrerá o setor do turismo tanto em Portugal como em Espanha ao longo deste ano, espera-se que muitos desses imóveis migrem para o arrendamento tradicional de longa duração, “originando um aumento significativo na
oferta e um natural. ajuste nos preços ”, acrescentam os responsáveis. Luís Máio Nunes, reforça mesmo que já era uma situação que se estava a verificar em Portugal, particularmente nos Grandes Centros Urbanos até pelas decisões legislativas que foram tomadas nos primeiros meses deste ano.
– Quedas de taxa de juros sem precedentes. A crise do Covid-19 atrasará para 2023 a perspectiva de incremento da Euribor para taxas positivas previstas, inicialmente, para 2022. Isto significa que o índice de referência ao qual a maioria dos Empréstimos hipotecários estão vinculados não retornará a valores positivos nos próximos três anos. “Esta redução do serviço da dívida dos empréstimos hipotecários a queda dos mercados financeiros levam-nos a acreditar que o setor imobiliário continuará sendo um dos activos mais interessantes para os investidores e que o impacto no segmento a médio, médio/alto do mercado imobiliário não durará muito, acrescentam os responsáveis da Rede.
– A construção nova, possivelmente a mais afetada. As empresas de construção que tinham as suas obras – e respectivas vendas – já numa fase adiantada, poderão confirmar que as entregas das mesmas se irá atrasar e podem até ser afetadas pelo mais que provável incremento da taxa de desemprego que poderá afectar os seus potencias compradores.
Porém, as entidades que poderão ser mais prejudicadas são aquelas que estavam com planos de comercializando ainda em projecto/inicio de construção.
– A gestão profissional do arrendamento dinamizar-se-à. O pacote de medidas aprovado pelo governo será, sem dúvida, de grande ajuda para os inquilinos vulneráveis/com dificuldades. Por seu lado, os grandes proprietários têm demonstrado, em algunas situações, interesse em apresentar facilidades aos seus inquilinos. Este facto leva-nos a crer que a gestão profissional de ativos permite uma resposta mais eficiente do que a dos proprietários privados, e que essa
tendência se consolidará ainda mais após essa crise.
– Surge a necessidade de repensar a arquitectura da habitação e do planeamento urbano. É muito provável que os vestígios que nos deixarão estas semanas de confinamento, com o fenómeno nacional, ibérico, europeu e até mundial que emergiu e que intitulamos de “As Varandas” e da convivência do “bairro”, etc. venham provocar uma profunda reflecxão em torno dos imóveis que serão construídos num futuro muito próximo. Aquilo que hoje vivemos irá alterar consideravelmente o perfil do consumidor de imobiliário. Hoje valorizaremos muito mais as varandas, os pátios, os logradoros, por pequenos que sejam.
– Somente os melhores sobreviverão. O setor imobiliário, como os restante setores, consolida-se como uma atividade altamente profissionalizada e na qual apenas os melhores sobreviverão. A tecnologia que os agentes imobiliários possuem, o treino/formação contínua, as operações em rede, os serviços complementares, as ferramentas financeiras e a força da sua marca, reforçarão a diferença entre sobreviver ou não. O vírus perturbou tudo. Vivemos um paradoxo! Os sites das Redes e os grandes portais imobiliários estão a receber, depois das primeiras semanas de confinamento, mais visitas do
que nunca, enquanto os telefones estão silenciosos. Identifica-se um incremento de imóveis catalogados como “Favoritos” pelos utilizadores dos varios portais. Certamente, serão imóveis que pretenderão vistar aquando do regresso à atividade.
Fala-se em recuperação em V, em U, em U longo e os mais pessimistas falam mesmo de recuperação em L.














