O ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, enalteceu o cumprimento «generalizado» do Estado de Emergência, apelando a que no fim-de-semana de 1.º de Maio «limitemos as deslocações».
«As forças de segurança, já no final desta tarde sexta-feira e ao longo de todo o fim-de-semana, terão particular empenho e naquilo que é o aconselhamento e fiscalização» do cumprimento do regime de Estado de Emergência, disse o MAI, numa conferência de imprensa, após o balanço da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana.
«Em articulação com as câmara municipais, não deixaremos de encerrar zonas que propiciem uma maior aglomeração de pessoas, designadamente perto do mar ou de lazer. É um esforço adicional para que possamos a partir de Maio iniciar, gradualmente, com segurança, uma abertura de vários sectores da nossa vida colectiva, quer na economia, como nos serviços públicos», sublinhou.
Para isso, como foi já anunciado hoje pelo primeiro-ministro, «será igualmente muito importante percebermos que o fim-de-semana alongado, de 1 a 3 de Maio, é um esforço adicional», em que «teremos regras de circulação entre municípios, de algum modo similares àquelas que tivemos na Páscoa», referiu.
Recordando o balanço das forças de segurança, nesta sexta-feira, assinalou que verifica-se «um generalizado cumprimento e adesão àquelas que são as regras próprias do período de Estado de Emergência». «Durante este segundo período, quase uma semana deste prolongamento do Estado de Emergência, verificámos apenas 58 detenções, 23 das quais por violação do dever por confinamento obrigatório», apontou.
Neste contexto, Cabrita deixou «uma palavra especial para a forma como a população de Ovar tem interiorizado aquilo que é uma nova fase», em que tendo desaparecido a cerca sanitária continuam a existir restrições às actividades «mais exigentes do que aquelas que se aplicam em todo o restante território continental».
Eduardo Cabrita destacou ainda o encerramento de 142 estabelecimentos que «estavam a violar as regras», em que é permitido o funcionamento limitado. «Estamos a falar fundamental de estabelecimentos da área da restauração e similares, cafés, pastelarias…».
Relativamente às forças de segurança, «estando confirmados 168 casos de infecção pelo coronavírus, temos a registar um número significativo de 26 curados», referiu, sublinhando que 382 polícias ou militares da GNR «estão em isolamento profilático pela prudência necessária» pelo eventual contacto com colegas ou cidadãos infectados. Esclarece, ainda assim, que «isto em nada afecta a operacionalidade das forças de segurança, que renovam a sua declaração de plena capacidade para cumprir os objectivos estabelecidos para eles».
Quanto a «sectores de actividade particularmente protegidos pelas suas características, justificam uma atenção muito especial» por parte do Governo. «O primeiro tem a ver com a situação dos lares, cerca de cem mil cidadãos e trabalhadores dessas unidades residenciais. (…) Foram já realizados já 50% dos trabalhadores dos lares», referiu, acrescentando que, até ao final da primeira semana de Maio, o Executivo conta ter testados todos os funcionários. Já os casos positivos estão à volta dos 10%.
«Portugal é o país com mais testes realizados na Europa»
Até ontem, realizaram-se 317 mil testes, segundo o MAI, que faz notar que a capacidade de fazer testes em Portugal «aumentou significativamente». «Em Abril já se fizeram o dobro dos testes feitos em Março», destacou Cabrita. «Dos países com mais de um milhão de habitantes, Portugal é, neste momento, o país com mais testes realizados na Europa relativamente à sua população e vamos continuar este esforço», salientou.
«Foram realizadas várias acções de sensibilização de migrantes, quer na área do Turismo, como na Agricultura», prosseguiu. E, igualmente, «foi decidido em articulação com a ministra do Estado e da Presidência, o ministro do Trabalho e da Segurança Social, o Ministério da Administração Interna e em diálogo com o Centro Português para os Refugiados promover a realização de testes relativamente a requerentes de asilo que se encontram a aguardar decisão administrativa ou judicial em alojamentos colectivos, sobretudo na área de Lisboa».
De acordo com Cabrita, foi também reportado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros que, até ontem, chegaram 25 aviões «cheios de material de apoio médico». «Na próxima semana estão programados mais quatro voos», adiantou.
«Para que seja possível uma retoma gradual de actividade, foi-nos prestada informação sobre a contratação já feita pelas maiores redes de distribuição para retalho do país de equipamentos de protecção individual e de gel desinfectante. (…) A partir de meio da próxima semana permitirá abastecimento em quantidade significativa», apontou ainda.
Nas últimas 24 horas, o número de casos de infecção por coronavírus subiu para 22.797, mais 444, e o de vítimas mortais para 854 (+34), revela o boletim da Direção-Geral da Saúde.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Press”, às 11 horas, a partir de dados oficiais, a pandemia de Covid-19 já provocou 190.989 mortos e infectou mais de 2,7 milhões de pessoas em 193 países e territórios, com mais de 720 mil doentes considerados curados.
*Notícia actualizada às 18:41




